Governador Valadares – Minas Gerais
Governador Valadares é um município brasileiro no interior do estado de Minas
Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e está situado a cerca
de 320 km a leste da capital do estado. Ocupa uma área de pouco mais de 2 342 km²,
sendo aproximadamente 58 km² em área urbana, e sua população em 2020 era de
281 046 habitantes, posicionando-se como o nono mais populoso do estado mineiro.
O desbravamento da região da atual cidade teve início no século XVI, em expedições
como a de Sebastião Fernandes Tourinho que seguiam pelo curso do rio Doce à procura
de metais preciosos em suas margens. No entanto, o povoamento foi iniciado somente
entre os séculos XVIII e XIX, com a instalação de quartéis destinados a dominar os
índios Borun em favor dos colonos que navegavam pelo rio Doce. Com a locação
da EFVM, por volta de 1907, houve a consolidação do povoado, cuja localização próxima
de produtores de café e extração de madeira favoreceu o desenvolvimento comercial e o
crescimento populacional. Dessa forma, o município foi emancipado de Peçanha na
década de 30.
Após a década de 1940, a extração de mica e pedras preciosas trouxe um forte
crescimento populacional, ao lado da pecuária e do comércio. No entanto, com o declínio
dos recursos naturais e da agropecuária, o giro de capital só foi possível com a entrada de
renda enviada por emigrantes que rumaram a outros países, sobretudo os Estados
Unidos. A atividade comercial constitui a principal fonte de renda gerada na cidade,
juntamente com a agroindústria e o beneficiamento de produtos regionais.
A cidade é banhada pelo rio Doce e tem como importante marco natural o Pico da
Ibituruna, o qual pode ser avistado de quase todo o município e oferece a oportunidade
de escaladas e saltos de voo livre, inclusive campeonatos nacionais e internacionais dessa
modalidade. Eventos como o GV Folia e a Expoagro GV também configuram-se como
principais atrativos.
História
Colonização da região
A região do atual município de Governador Valadares se encontra habitada por indígenas
há pelo menos 10 mil anos e registros dos primeiros exploradores da região após
a “descoberta” do Brasil, ocorrida em 1500, apontam que nessa ocasião eles ainda eram
numerosos. O desbravamento dessa área teve início no século XVI, em expedições como
a de Sebastião Fernandes Tourinho que seguiam pelo curso do rio Doce à procura de
metais preciosos em suas margens. Fernandes Tourinho acompanhou o caminho inverso
do rio Doce até atingir o rio Santo Antônio, no entanto o povoamento da região foi proibido
no começo do século XVII, a fim de evitar contrabando do ouro extraído na região
de Diamantina.
O povoamento foi liberado em 1755 e para garantir a segurança de colonos e
comerciantes que navegavam pelo rio Doce foram instalados quartéis destinados a vigiar
os índios Borun , que são os povos originários do território. O quartel de Baguari foi o
primeiro em território do atual município e a partir dele surgiram povoamentos próximos,
dentre os quais Figueira, que corresponde à atual sede municipal. Para forçar os indígenas
a deixar a região em proteção aos colonizadores, os quartéis serviram como estratégia.
Perto de Figueira foi criado em 1818 o quartel D. Manoel, na margem esquerda do rio
Doce, onde funcionou um pequeno porto que atendia ao serviço militar, local onde também
se formou um núcleo comercial. Posteriormente, o povoado foi elevado a distrito de paz
com a denominação de Baguari, levando à criação do distrito subordinado a Peçanha pela
lei provincial nº 3.198, de 23 de setembro de 1884, passando então a denominar-se Santo
Antônio da Figueira.
Emancipação e desenvolvimento
No começo do século XX, o anúncio da locação da Estrada de Ferro Vitória a
Minas (EFVM) pela região favoreceu o desenvolvimento do então distrito e em 15 de
agosto de 1910, houve a inauguração da primeira estação ferroviária da localidade. A
consolidação da ferrovia incentivou a instalação de plantações de café e a extração da
madeira, que passaram a ter uma alternativa de escoamento da produção em direção aos
portos do Espírito Santo. No início da década de 1920, o núcleo urbano ainda se restringia
a poucas ruas existentes entre o rio Doce à direita e a via férrea à esquerda, com algumas
fazendas ao redor. Nessa ocasião, o povoamento era atendido por estradas que o ligavam
a outras regiões para o tráfego de tropeiros, estabelecendo-se ali um ponto de descanso. [8]
Pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, Santo Antônio da Figueira recebeu o
nome de Figueira. Em 1925, foi construída uma pequena usina elétrica movida a vapor
com o objetivo de fornecer energia elétrica ao povoamento e em 1928, foi estruturada a
primeira estrada, ligando o distrito a Coroaci. Na década de 1930, houve os primeiros
movimentos a favor da emancipação do distrito, que veio a ocorrer pelo decreto-lei
estadual nº 32, de 31 de dezembro de 1937, instalando-se em 30 de janeiro de 1938. Em
17 de dezembro de 1938, o município recebeu a denominação de Governador Valadares
em referência ao então governador de Minas Gerais Benedito Valadares. À época da
emancipação, seu território abrangia total ou parcialmente as áreas dos atuais municípios
de Alpercata, Açucena, Naque e Periquito, que foram desmembrados no decorrer das
décadas seguintes.
Governador Valadares atingiu 1940 com a marca de 5 734 habitantes. Nessa ocasião,
a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira e a Acesita apossaram-se de vastas áreas do
município e do Vale do Rio Doce com a intenção de extrair madeira destinada a abastecer
suas usinas, localizadas em João Monlevade e Timóteo, respectivamente. Na região
central da cidade foram abertas 14 serrarias entre 1940 e 1950, apesar do declínio da
atividade em 1960. Também na década de 1940 houve o encetamento da exploração
mineral em terras valadarenses, com a extração de mica e pedras preciosas que atraíam
consumidores e investidores de várias partes do Brasil, o que impulsionou a população
para 20 357 habitantes em 1950 e 70 494 residentes em 1960. A cana-de-açúcar e
a pecuária também se mostravam como atividades promissoras, tendo em vista as terras
férteis.
O crescimento urbano abrupto ocorreu de forma descontrolada e sem planejamento,
culminando na ocupação de áreas sujeitas a enchentes nas margens do rio Doce e no
despejo de esgoto no curso hidrográfico, de onde era extraída a água consumida pela
população sem tratamento. Os casos de malária e outras doenças tropicais eram comuns,
situação que começou a ser amenizada após a criação do primeiro serviço de saúde
pública em 1942. Ainda na década de 1940, o abastecimento de energia elétrica foi
reestruturado com a construção da Usina Hidrelétrica de Tronqueiras, em Coroaci, e o
município passou a ser atendido pela BR-116 (Rodovia Rio–Bahia). Mais tarde também
houve a chegada da BR-381.
A Companhia Açucareira Rio Doce (CARDO), subsidiária da Belgo-Mineira, destacou-se
como um dos principais investimentos industriais da cidade, tendo sido criada em 1946 e
entrado em operação em 1948. Produzia açúcar e álcool a partir de uma plantação de
plantação de cana-de-açúcar de 85 alqueires localizada onde mais tarde se instalou
a Univale . No entanto, sua demanda fez com que a lavoura canavieira se expandisse na
região, principalmente nos municípios de Açucena e Tarumirim . Chegou a produzir uma
média de 600 sacas por dia.
Esgotamento econômico e emigração
O esgotamento dos recursos naturais no município levou ao declínio da exploração
madeireira na década de 1960, resultando no fechamento das serrarias existentes na
cidade. A falta de mercado consumidor na região e a evasão dos investidores implicaram a
queda da produção pecuária e de cana-de-açúcar, que tinha como importante investidor a
Companhia Açucareira Rio Doce, desativada na década de 1970. O empresário José
Egreja havia comprado a CARDO em 1963 e transferido as operações para o estado
de São Paulo, levando à unidade valadarense a ser fechada em 1972.
Em 1950, havia uma média de duas cabeças de gado por hectare, passando a uma taxa
de 0,8 cabeças por hectare em 1980. A partir da década de 70, parte das terras
devastadas para a extração de madeira e a agropecuária foi cedida para abrir espaço à
monocultura de eucalipto destinada à usina de celulose da Cenibra, no município de Belo
Oriente. Em vista do declínio de suas principais atividades econômicas, o município passa
a registrar uma queda em sua produção econômica, deixando de gerar capital e emprego.
A situação de Governador Valadares foi agravada por dias seguidos de chuvas intensas
em toda a bacia do rio Doce, que elevaram o nível do leito em 5,18 metros acima do
normal na cidade durante a histórica enchente de fevereiro de 1979, gerando situação de
calamidade com repercussão internacional. Em alternativa à improdutividade, ganhou
impulso entre as décadas de 70 e 80 a emigração da população com destino a outras
partes do país e principalmente ao exterior, culminando na entrada de capital que, por fim,
foi capaz de movimentar a economia valadarense. Setores como construção civil, o
comércio e a prestação de serviços se viram impulsionados por esse retorno de capital no
decorrer das décadas de 80 e 90, ao passo que cerca de 27 mil habitantes haviam
emigrado do município com destino a outros países, em especial para os Estados Unidos,
até 1993.
História recente
Em janeiro de 1997, Governador Valadares foi afetada pela segunda pior enchente da
história da cidade, perdendo apenas para a de 1979, com o rio Doce atingindo 4,77 metros
acima do nível normal ] Em dezembro de 2013, chuvas fortes e contínuas provocaram duas
mortes e deixaram mais de 250 desalojados na cidade, afetando 25 bairros. Foi decretado
estado de emergência. Em novembro de 2015, o município foi novamente destaque
nacional, dessa vez como um dos afetados pelos impactos do rompimento de
barragem ocorrido em Mariana. A lama da barragem de rejeitos da Samarco chegou ao rio
Doce, comprometendo o abastecimento de água em várias cidades que dependem do
curso para o suprimento, como em Governador Valadares a partir do dia 8 de novembro.
Em 10 de novembro de 2015, foi decretado estado de calamidade pública em função do
desabastecimento na cidade, que já vinha sendo afetada pela estiagem
prolongada, levando o Exército Brasileiro a liderar a distribuição gratuita de água fornecida
pela Samarco no Centro de Valadares em 13 de novembro. Centenas de moradores
aguardavam o recebimento de água potável em filas que dobravam quarteirões, enquanto
que roubos e saques nas casas, caixas d’água e distribuidoras se tornaram
frequentes. Iniciou-se então uma campanha com amplo alcance nacional visando a doar
água para o município e outras cidades com abastecimento prejudicado e nos dias
seguintes pontos de distribuição também foram estabelecidos pelo Exército em alguns
bairros. O abastecimento começou a ser retomado em 16 de novembro, mas nas semanas
seguintes a água ainda apresentava odor e coloração diferentes e novas filas se formavam
para conseguir água potável.
Em abril de 2016, Governador Valadares mais uma vez esteve em destaque nos
noticiários por causa de um embaraço. O desencadeamento da Operação Mar de Lama,
realizada pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público, iniciou uma
investigação a uma organização criminosa suspeita de desviar R$ 1 bilhão de reais,
grande parte dos quais desviados de recursos federais que seriam destinados a cobrir os
impactos das enchentes de 2013. Apenas nas primeiras semanas de investigação, 26
pessoas foram afastadas de suas funções no município, incluindo 13 vereadores.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Governador_Valadares